Another Europe is possible

O “Semestre Europeu 2013” é um mar de oportunidades mas apenas para o projecto europeu da direita

05/02/2013

A propósito do debate no plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo sobre o Semestre Europeu 2013, a deputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, afirmou que "de modo sintético o Semestre Europeu é uma enorme oportunidade, mas apenas para o projecto europeu da direita" e acrescentou que "infelizmente é um projecto com mercados mas sem cidadãos".

A versão final do relatório, que foi substancialmente alterado pelas emendas apresentadas e aprovadas pelo PPE, Liberais e Conservadores, propõe como caminho para a União Europeia a manutenção e aprofundamento das políticas de austeridade, a liberalização do mercado de trabalho ou mesmo a concretização do mercado interno através da eliminação das barreiras aos serviços, ao mesmo tempo que não preconiza qualquer necessidade de avaliação das políticas de ajustamento orçamental. Aliás, quanto a esta matéria "a única alteração que fariam era tê-las posto em prática há 10 anos em vez de agora!" afirmou Marisa Matias. "Esta proposta não é só sobre o que ficou, mas também sobre o que a direita impôs que fosse retirado. Para a direita castiga-se quem trabalha e quem trabalhou mas não se pode tocar na evasão ou fuga fiscal" afirmou ainda a deputada do Bloco de Esquerda, referindo-se ao facto de terem sido rejeitadas também pela direita as recomendações que constavam no relatório sobre a necessidade se articularem esforços ao nível europeu para combater a fraude e a evasão fiscal, bem como as recomendações sobre política regional ou de coesão.

Durante a sua intervenção em plenário, Marisa Matias, chamou a atenção dos demais deputados europeus para a actual situação económica portuguesa, sobre a qual "a Troika só faz avaliações positivas, o Governo português orgulha-se de ser o melhor aluno, mas o desemprego aumenta e o défice a dívida também." para demonstrar que o que falha nesta estratégia é que "nunca se questiona a receita, porque a austeridade é virtuosa, esta receita, apesar de ser óbvio que está a falhar, não é problema, só o povo é problema.

Estamos a deplorar o povo que faz sacrifícios para promover esta receita" de austeridade. E terminou questionando o hemiciclo se seria capaz de assumir que "se não é a receita que falha é o povo?"

 

 

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