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Marisa Matias confronta Mário Draghi: “O BCE é uma espécie de elefante que está no meio da sala mas

12/12/2013

“O BCE é uma espécie de elefante que está no meio da sala mas que ninguém vê” afirmou Marisa Matias durante a sua intervenção de hoje na sessão plenária.

 

Num debate, que contou com a presença do Presidente do BCE, Mário Draghi (pela última vez nesta legislatura) e do Vice Presidente da Comissão Europeia, Olli Rehn, para avaliar a actividade do BCE durante o exercício de 2012, a discussão centrou-se essencialmente em 3 pontos: a política monetária, a união bancária e os aspectos institucionais, ignorando totalmente o papel do BCE na Troika e consequentemente nos estados membros sob intervenção, o que suscitou a reacção da deputada do Bloco de Esquerda.

“O BCE em 2012 continuou a afundar-se no modelo da troika. Continuou a participar enquanto membro das troikas nos diversos países. Nestes debates fala-se de taxas de juro, de política monetária, apresenta-se o BCE que se pode apresentar aos amigos mas o outro fica escondido na sala e nem sequer pode ser sujeito a debate”, afirmou Marisa Matias e continuou: “O BCE que baixa as taxas de juro para tentar combater a crise é o mesmo que esmaga os salários nos países sob intervenção da troika e que não toca no essencial, pelo contrário, agrava o problema essencial, porque o problema essencial é a falta de procura interna. É isso que nos traz à recessão e é isso que nos faz continuar na recessão.”

 

“O BCE da troika nunca é julgado democraticamente. Nunca é avaliado” acusou Marisa Matias que foi relatora para o exercício de 2011, e que acabou por retirar o seu nome do relatório, precisamente porque a direita parlamentar conseguiu aprovar emendas retirando a proposta da relatora de avaliação da troika.

 

Marisa Matias referiu-se ainda à questão da condicionalidade, ou seja à obrigação de os países envolvidos estarem sujeitos a programas junto do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) ou do seu sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), ou ainda aos chamados programas cautelares (que podem no futuro envolver Espanha e Itália). “Associar a activação das OMT, ou seja da compra directa da dívida no mercado, em função da condicionalidade que é imposta aos estados, aos países que estão sob intervenção, é uma espécie de Troika 2.0.” acusou a deputada do Bloco de Esquerda.

 

“Sabemos que a troika fez escola, mas o BCE tem que prestar contas também por isso, porque o BCE não pode ser apenas essa entidade distante que interfere e faz ingerência quotidiana nos países, mas sobre a qual não podemos dizer nada” concluiu Marisa Matias

 

Em resposta directa a Marisa Matias, Olli Rehn, reconheceu e sublinhou a necessidade de avaliar a troika, considerando que essa avaliação deveria ter lugar à parte deste debate. Mário Draghi preferiu agradecer as intervenções críticas e limitar-se a comentar os elogios.

 

 

 

Intervenção de Marisa Matias: http://youtu.be/eASrl54E9PQ

 

 

 

 

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Cláudia Oliveira

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